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Mostrando postagens de fevereiro, 2026

Instruções para caminhar no escuro

  Uma casa sem janelas, sem portas de saída Um corpo  rabiscado pelas mãos do outro Esse outro que invade, habita sem permissão, silencia, decreta Palavras engolidas antes do café A vida ficando cada vez mais borrada E as tantas metáforas de silenciamento e voz O que fere é o amor? A gente não percebe, mas quando vê está pisando em ovos como nossa mãe que aprendeu com sua mãe, que aprendeu com sua mãe, que aprendeu com sua mãe Mães herdando de mães Olhar a cara fechada, aceitar o punho cerrado Mergulhar em silêncio ensurdecedor O que fere é o quê? O amor transmutado em toques brutais A maquiagem do medo, efeito sombrio Desse inverno de dentro que sonha com a primavera de fora Lá fora tudo é lindo Anuncia possibilidades, esperança e voz O fim do mergulho A quebra do pacto Uma mão que segura outra mão, que segura outra mão, que segura outra mão Mãos entrelaçando mãos E criando outros laços nesse novo lugar de quem desenha no corpo a próp...